Delineei objetivos.
Só quero ser feliz!
(A.M.P.)
Quando achas que distante estou
Em algum canto eu me escondo
Olhando, admirando, espiando com um olhar que cerca
Que busca, que vela.
Quando achas que não te escuto
Te olhando como quem olha o nada,
distraída.
Na verdade estou atenta a teu olhar
Que fala muito mais,
Que inventa e intenta,
muito mais que a realidade propõe e oferece.
Na verdade te enganas com meu descaso.
Descaso este que teu próprio descaso ignora.
Ele é muito mais o medo de externar tudo que a verdade pode revelar.
E talvez te afastar.
Assim distraio, me escondo e te mantenho, mesmo longe, sempre perto.
[ Capão da Canoa - Quarta-feira – 26/01/2011 – 01h04min ]
Existiram momentos
Únicos, inexplicáveis
Esperados, despreparados
Confusos e desejados.
Existem movimentos
Necessários, solitários
Conseqüentes, contundentes,
Decisivos e contagiantes.
Existe o existir,
Recheado de momentos, movimentos.
Que confunde, que deseja.
Que necessita a solidão e o contágio.
Que contunde e explica.
Que vivifica.
[Segunda – feira: 24/01/2011 – 22h50 - Capão da Canoa]
Porto Alegre, 27 de dezembro de 2010.
Querido 2011...
Chegaste tão rápido! Há quatro anos atrás eu te desejava muito. Eu estava iniciando a faculdade e a previsão de formatura era para teu ano, eu tinha comigo uma turma maravilhosa e pretendia me formar junto com todos. Porém muitos ficaram pelo caminho, outros estão vindo logo atrás. Mas é o ano da minha formatura, o considero o MEU ano e, por isso, quero que sejas muito especial.
Espero que eu consiga encontrar novos caminhos, renovar boas esperanças, reafirmar escolhas, encontrar respostas e descartar tudo aquilo que não serve mais. Que todo esse processo seja recheado de discernimento e alegrias, com a merecida dose de sofrimento e dificuldade que torna qualquer conquista mais gostosa.
Quero perto de mim todas aquelas pessoas que me fazem bem, com suas pitadas de bom ou mau humor, de alegria, de dilemas compartilhados, de amizade, de carinho, desafios e de querer bem.
Na verdade o que eu quero é ser feliz, com tudo o que isso implica. Que eu possa ser forte o suficiente para superar as adversidades e sensata o bastante para aprender a escolher o que realmente vai me levar para este caminho.
Seja bem-vindo, te espero ansiosamente.
Angela Marin Pertile
Que ano especial... Desde novembro do ano passado muita coisa mudou, várias pessoas apareceram na minha vida, trazendo elementos novos, novas cores, e muita coisa boa. Assim como novas oportunidades, novas realidades, novos desafios me foram apresentados.
Reli há pouco o texto que escrevi nessa época no passado, e lá eu falava de muitos medos. Medo do comodismo, do conformismo, da desmotivação. Mas hoje me vejo tão diferente, e percebo que muitas das coisas que eu via como resultados destes aspectos aconteceram, realmente, mas por motivos contrários, por pura vontade de mudar e não ver possibilidades, então, nas coisas como estavam.
Vou me inspirar em Shakespeare para falar um pouco das coisas como foram se dando neste ano, tudo que fui aprendendo:
APRENDI que é preciso rir da própria desgraça, e não cair no desespero, que o que realmente tem que acontecer vai acontecer, e rindo tudo fica mais leve;
APRENDI que algumas escolhas, por mais que pareçam acertadas, vão nos trazer decepções muitas vezes, e que é preciso aprender com elas;
APRENDI que as coisas como planejamos nem sempre acontecerão daquela maneira;
APRENDI que algumas pessoas são essenciais, e que estas mesmas nós amaremos e odiaremos, mas que nunca nos imaginaremos longe delas;
APRENDI que arriscar e ‘quebrar a cara’ muitas vezes com a mesma coisa nem sempre é burrice, mas que é preciso tomar cuidado!
APRENDI também que algumas pessoas realmente não merecem tanta preocupação;
APRENDI o sentido real da reciprocidade, na ausência dela;
APRENDI que alguns recados, mensagens e afins não serão mesmo respondidos, e que nem todos merecem respostas;
APRENDI que fazer reflexão diária e planejamentos semestrais, semanais e diários é muito chato, mas é necessário;
APRENDI no susto que preciso me alimentar direito e que a minha saúde deve ser minha prioridade;
APRENDI que devo aproveitar melhor meu tempo, pensando mais em mim.
Enfim, aprendi e reaprendi muitas coisas, mas principalmente reafirmei minhas concepções, talvez de um jeito totalmente diferente do que eu imaginava que seria.
Que este ciclo que se inicia seja repleto de novos aprendizados, é o que eu desejo pra mim e para todas as pessoas que fazem parte dele.
A palavra que veste um vestido das mais diversas cores, modelos e comprimentos. As novas, as velhas, as recortadas e customizadas.
Esta palavra vem para atualizar, realizar, expressar, vestir das mais diferentes formas o mundo que insiste em se multiplicar.
Se é verdadeiro ou falso eu não sei
Mas existe, é intenso, e dá rumo para muitas coisas.
Dê a isso o nome que quiseres, mas não o ignore para se enganar.
Existe uma coisa diferente nos olhos daqueles que fazem o que amam, o que desejam. Pode não ser aquilo que sonhou-se a vida inteira, mas se tal coisa se tornou projeto, causa entusiasmo e arrebata toda a dedicação de uma pessoa, um brilho toma conta do olhar, o tom da voz muda ao considerar, e é impossível não admirar tal situação. Felizes daqueles que podem se dedicar a seus anseios e o fazem da melhor maneira possível.
Hoje eu assisti ao dia pela janela do meu quarto. O sol se foi e, em diversas tentativas, voltou. Assim como o meu sono. E os raios invadiram meu espaço, acordando-me. A chuva ameaçou por diversas vezes, assim como algumas tensões e preocupações. Mas o dia foi lindo. As árvores permitiram abrigo aos pássaros, que cantavam e cantavam, assim como meus pensamentos, que ganharam espaço neste pedaço de ‘papel’. E por trás da concretude dos prédios, luzes se acendiam. Era a certeza de que ali existia vida, e com certeza essas vidas viam o dia diferente de mim. Quem sabe viam uma janela onde a luz não acendia, mas aqui também existia vida.
[Ver cabeças baixas que copiam trechos dos textos para responder questões me inquietam a ver cabeças erguidas que expressam opiniões, que fazem de suas vidas e histórias instrumentos de aprendizado. 11/08/2010 – Terceiro dia de observação]
Uma sala de aula. Cadeiras, mesas, quadro verde e algumas pessoas. Muitas idades, muitas histórias, diferentes desejos e concepções. Uma certeza: a vontade de aprender. Mas mais que isso, a vontade de saber por que aprender. Mais que aprender, compreender.
Uma experiência recheada de expectativas. Ser surpreendida diariamente renova a minha motivação. Descobrir um acerto, depois de tanta dúvida, completa a satisfação.
A sala de aula da Educação de Jovens e Adultos se apresenta para mim, neste início de caminhada, um terreno fértil para os aprendizados, mas um constante "pisar em ovos".
Da Senhora de 80 anos à Adolescente de 18, do fluente na leitura e escrita ao que o lápis está aprendendo a segurar. O desafio de contemplá-los e com tudo isso aprender.
As histórias de vida vêem à tona a cada instante, a cada discussão, em cada atividade. É preciso respeitá-las e é possível aprender muito com isso.
Perceber o respeito e a admiração de cada aluno e perceber também que ali tu representas mais que uma professora, renova o desafio de colocar-se sempre como aprendiz e ao mesmo tempo responsável por um novo começo de cada um. Responsável por apontar alternativas e caminhos diante de um novo que não é tão novo, mas que se renova nesta nova oportunidade de aprender e ensinar. Diria mais ensinar que aprender.
Me coloco diariamente lado à lado daqueles que me permitem a cada dia ensiná-los, mas ensiná-los muito mais que a contar, ler e escrever, ensiná-los a perceber que muito já sabem e que muito podem também ensinar a mim, ao colega, à sociedade. Fazer valer suas opiniões e problematizá-las é o estopim da minha motivação diária.
[Cada dia me convenço mais que eu mais aprenderei do que ensinarei a esta turma. Vê-los colocando em pauta suas vidas com orgulho e com a certeza do valor de cada memória faz acreditar que isso acontecerá. 31/08/2010 – Segunda aula]

Último dia de aula na faculdade, um sentimento que não dá pra explicar. Um misto de alegria, tristeza e a própria saudade.
Construir laços é algo que não é fácil no dinamismo que vivemos no dia-a-dia e no individualismo tão ditado. O problema é que demoramos demais pra nos dar conta do quanto algumas pessoas são importantes em nossas vidas. Seja para conversar, seja para partilhar angústias, conhecimentos, olhares ou, simplesmente, estar junto.
A faculdade é um tempo curto, agora cada uma vai para um canto, e daqui um ano nos reencontraremos para o grande dia. E passado mais um semestre para outro grande dia, e quem sabe mais alguns semestres para comemorarmos mais uma vez. Eis o lado bom de não estarmos nos formando juntas, poderemos comemorar a ‘chegada da luz’ a cada uma de nós em diversos momentos, das mais variadas formas.
Ah! Eu lembro do nosso primeiro semestre e uma música marcou aquele momento: “Foi pouco, mas valeu, vivi cada segundooo. Quero o tempo que passou” parece que já prevíamos o quanto esses anos seriam especiais. E eu novamente “[...]quero o tempo que passou.”
Hoje podemos ver o quanto somos parecidas, e é interessante como mudamos nesse tempo. Se pararmos para observar cada uma carrega um pouco da outra. Algumas entendem à A., outras não, mas todas querem um B.. E até choramos juntas por isso. Mais uma cena para marcar mais uma das poucas manhãs em frente à FACED. Ou seja, todas queremos a mesma coisa, independente do caminho que iremos trilhar para tal.
Amadas!
Eu desejo sorte pra nós, eu desejo paciência pra gente!
Seja nos nossos temidos estágios, seja em mais alguns semestres de FACED toda manhã.
Já sobramos poucas juntas, e eu ainda escolhi algo que me deixará mais longe de vocês ( por que eu complico tanto?). Mas que bom! Serão diferentes experiências para juntas agregarmos e aprendermos mais.
Por fim ainda gostaria de dizer: que bom ter vocês junto comigo.
Enfim, continuemos.
[Texto dedicado àquelas pessoas com quem compartilhei as melhores manhãs dos últimos três anos]