segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Atenção...

Se é verdadeiro ou falso eu não sei

Mas existe, é intenso, e dá rumo para muitas coisas.

Dê a isso o nome que quiseres, mas não o ignore para se enganar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Nota mental...

Existe uma coisa diferente nos olhos daqueles que fazem o que amam, o que desejam. Pode não ser aquilo que sonhou-se a vida inteira, mas se tal coisa se tornou projeto, causa entusiasmo e arrebata toda a dedicação de uma pessoa, um brilho toma conta do olhar, o tom da voz muda ao considerar, e é impossível não admirar tal situação. Felizes daqueles que podem se dedicar a seus anseios e o fazem da melhor maneira possível.

domingo, 26 de setembro de 2010

...da janela do meu quarto.

Hoje eu assisti ao dia pela janela do meu quarto. O sol se foi e, em diversas tentativas, voltou. Assim como o meu sono. E os raios invadiram meu espaço, acordando-me. A chuva ameaçou por diversas vezes, assim como algumas tensões e preocupações. Mas o dia foi lindo. As árvores permitiram abrigo aos pássaros, que cantavam e cantavam, assim como meus pensamentos, que ganharam espaço neste pedaço de ‘papel’. E por trás da concretude dos prédios, luzes se acendiam. Era a certeza de que ali existia vida, e com certeza essas vidas viam o dia diferente de mim. Quem sabe viam uma janela onde a luz não acendia, mas aqui também existia vida.

Queria um dia poder sentar em minha cama e assistir minha vida...
...pela janela do meu quarto.

domingo, 12 de setembro de 2010

A gratidão de ensinar para a vida e, mais do que isso, aprender com a vida.


[Ver cabeças baixas que copiam trechos dos textos para responder questões me inquietam a ver cabeças erguidas que expressam opiniões, que fazem de suas vidas e histórias instrumentos de aprendizado. 11/08/2010 – Terceiro dia de observação]

Uma sala de aula. Cadeiras, mesas, quadro verde e algumas pessoas. Muitas idades, muitas histórias, diferentes desejos e concepções. Uma certeza: a vontade de aprender. Mas mais que isso, a vontade de saber por que aprender. Mais que aprender, compreender.

Uma experiência recheada de expectativas. Ser surpreendida diariamente renova a minha motivação. Descobrir um acerto, depois de tanta dúvida, completa a satisfação.

A sala de aula da Educação de Jovens e Adultos se apresenta para mim, neste início de caminhada, um terreno fértil para os aprendizados, mas um constante "pisar em ovos".

Da Senhora de 80 anos à Adolescente de 18, do fluente na leitura e escrita ao que o lápis está aprendendo a segurar. O desafio de contemplá-los e com tudo isso aprender.

As histórias de vida vêem à tona a cada instante, a cada discussão, em cada atividade. É preciso respeitá-las e é possível aprender muito com isso.

Perceber o respeito e a admiração de cada aluno e perceber também que ali tu representas mais que uma professora, renova o desafio de colocar-se sempre como aprendiz e ao mesmo tempo responsável por um novo começo de cada um. Responsável por apontar alternativas e caminhos diante de um novo que não é tão novo, mas que se renova nesta nova oportunidade de aprender e ensinar. Diria mais ensinar que aprender.

Me coloco diariamente lado à lado daqueles que me permitem a cada dia ensiná-los, mas ensiná-los muito mais que a contar, ler e escrever, ensiná-los a perceber que muito já sabem e que muito podem também ensinar a mim, ao colega, à sociedade. Fazer valer suas opiniões e problematizá-las é o estopim da minha motivação diária.

[Cada dia me convenço mais que eu mais aprenderei do que ensinarei a esta turma. Vê-los colocando em pauta suas vidas com orgulho e com a certeza do valor de cada memória faz acreditar que isso acontecerá. 31/08/2010 – Segunda aula]

quinta-feira, 15 de julho de 2010

...pra bem longe, mas aqui.

Um pequeno registro:
Daqui 2 horas sai o ônibus com destino ao 30º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia, em Brasília.

Lembro agora de mais ou menos um ano atrás, quando esta era uma das viagens mais esperadas pelas pessoas com quem eu convivia na faculdade, principalmente no Diretório Acadêmico.

Com o passar do tempo, o peso da responsabilidade e a correria para que tudo se tornasse possível foi tomando o lugar daquela euforia inicial. A vontade era de não ir, mas era preciso acreditar que sim: seria bom (será bom!), que sim: vai ser produtivo, vai valer à pena.

Pois bem, chegou o dia, partiremos e eu ainda espero que tudo dê certo.

Com o coração na boca eu embarco, ainda com aquela vontade de ir, mas com uma maior ainda de ficar.

Ok! Vou tentar aproveitar, vou tentar me divertir, vou fazer de tudo para que de veras valha a pena.

Mas eu volto... vou pra bem longe, mas continuo aqui.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pingos nos 'is'...

Tanta coisa que gira, gira e não sai do lugar, pela falta de um ‘pingo’ que devolve a fluidez e o fluxo da esteira que nos leva em frente, avante, sem pressa, mas com mudanças, com novidades, sem a pressão e a angústia do tudo de novo sem o novo.
Colocar o pingo nos ‘is’ às vezes é tão difícil que preferimos ficar na inércia da roda que gira, gira, gira...e não nos leva a lugar nenhum, acomodados.
...É questão de escolhas.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um pouco de melancolia e saudade...

Último dia de aula na faculdade, um sentimento que não dá pra explicar. Um misto de alegria, tristeza e a própria saudade.


Construir laços é algo que não é fácil no dinamismo que vivemos no dia-a-dia e no individualismo tão ditado. O problema é que demoramos demais pra nos dar conta do quanto algumas pessoas são importantes em nossas vidas. Seja para conversar, seja para partilhar angústias, conhecimentos, olhares ou, simplesmente, estar junto.


A faculdade é um tempo curto, agora cada uma vai para um canto, e daqui um ano nos reencontraremos para o grande dia. E passado mais um semestre para outro grande dia, e quem sabe mais alguns semestres para comemorarmos mais uma vez. Eis o lado bom de não estarmos nos formando juntas, poderemos comemorar a ‘chegada da luz’ a cada uma de nós em diversos momentos, das mais variadas formas.


Ah! Eu lembro do nosso primeiro semestre e uma música marcou aquele momento: “Foi pouco, mas valeu, vivi cada segundooo. Quero o tempo que passou” parece que já prevíamos o quanto esses anos seriam especiais. E eu novamente “[...]quero o tempo que passou.”


Hoje podemos ver o quanto somos parecidas, e é interessante como mudamos nesse tempo. Se pararmos para observar cada uma carrega um pouco da outra. Algumas entendem à A., outras não, mas todas querem um B.. E até choramos juntas por isso. Mais uma cena para marcar mais uma das poucas manhãs em frente à FACED. Ou seja, todas queremos a mesma coisa, independente do caminho que iremos trilhar para tal.


Amadas!

Eu desejo sorte pra nós, eu desejo paciência pra gente!

Seja nos nossos temidos estágios, seja em mais alguns semestres de FACED toda manhã.

Já sobramos poucas juntas, e eu ainda escolhi algo que me deixará mais longe de vocês ( por que eu complico tanto?). Mas que bom! Serão diferentes experiências para juntas agregarmos e aprendermos mais.


Por fim ainda gostaria de dizer: que bom ter vocês junto comigo.

Enfim, continuemos.




[Texto dedicado àquelas pessoas com quem compartilhei as melhores manhãs dos últimos três anos]

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Nota mental.

É interessante ver-se mudando, perceber uma gradativa superação de pré-conceitos.
Legal também é sentir que as coisas mudam, mas continuam na mesma raiz, pois se contruiram, foram se constituindo e, por isso é desconstrução aliada à reconstrução, mas com os mesmos pilares.
É muito interessante ver-se mudar e, mais que isso, querer mudar. PERMITIR-SE mudar!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Diário de uma observadora...

Nesta semana, de 12 a 16 de abril, estou participando de uma atividade acadêmica onde observo uma turma de 3º ano de uma escola pública de Porto Alegre. Na segunda semana de maio assumo esta turma, será um grande desafio!
Neste escrito, compartilho com vocês alguns pensamentos que fui elaborando durante a observação deste segundo dia.

# A Pedagogia é um curso que me deixa em uma eterna crise, pois enxergar uma realidade e acomodar-se é muito fácil. Difícil é querer lutar contra uma hegemonia de pensamento e prática, que impõe muitas barreiras, e não desistir. É aqui que mora a crise: porque querer o mais difícil? Será que é porque acredito tanto na educação para acomodar-me diante do seu caos?

# São nesses momentos que delineio meus objetivos, que vislumbro meu futuro, que reafirmo minha opção.

# Dezessete pessoas sentadas, uma folha de papel em cada mesa, um instrumento de transformação ao canto, sentado em sua mesa, cabeça baixa, alheio à tudo. A impotência me cutuca e faz cócegas, mas minha hora chegará!

# No momento que se cala uma boca que dá vazão a um pensamento, apaga-se o brilho de um olhar.

# Quando tiro a oportunidade de um aluno errar, tiro a oportunidade de tentar e imponho a mediocridade do acerto ou o silêncio.

# O professor que não admite que um aluno possa ir além do seu ensinamento ainda não aprendeu o segredo do aprender.


Que eu possa aprender muito com isso tudo!


Boa semana. =)

domingo, 14 de março de 2010

NOTA DE REPÚDIO AOS ESTUDANTES DE DIREITO ENVOLVIDOS EM ATITUDE DE DISCRIMINAÇÃO AO CURSO DE PEDAGOGIA



O Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, repudia a atitude de estudantes do curso de Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito da mesma Universidade, pela atitude discriminatória ocorrida na manhã do dia 11 de março de 2010, enquanto os calouros do curso de Pedagogia realizavam suas atividades de trote.

Ao passar pelo prédio do curso de Direito, os estudantes de Pedagogia foram agredidos verbalmente pelos estudantes do curso de Direito que se encontravam, igualmente, em atividade de trote, com gritos que minimizavam a importância de nosso curso como “salário mínimo” e “segunda opção”, assim como outras expressões de baixo calão, ofendendo pessoalmente cada um@ que por ali passava.

Lamentamos o fato e, principalmente, a falta de memória destes estudantes que esquecem que para chegar onde estão passaram pelas mãos de diferentes pedagog@s que, com certeza, foram fundamentais para sua formação e chegada onde estão, mesmo recebendo, muitas vezes, um salário mínimo, mas levando sua profissão como opção de sua vida, como primeira opção.

Este fato é recorrente. Em outras vezes esta atitude já se repetiu o que, de fato, indigna e exige que cobremos destes estudantes e, principalmente, do Centro Acadêmico André da Rocha, que representa os mesmos, uma retratação pública, pois é inadmissível que situações como estas voltem a acontecer e/ou passem em branco.

Reafirmamos nossa opção pela Educação, tão desacreditada, tão desvalorizada, mas essencial, sedente de mudanças, mudanças estas que estes estudantes estão dispostos a encarar e construir.

Ainda, parabenizamos os calouros do curso de Direito pela entrada nesta Universidade, em um curso mais concorrido que o nosso, mas não de maior ou menor importância e esperamos que a noção de justiça e consciência social que vocês construirão durante o curso seja inversamente proporcional à noção de respeito explicitada nas atitudes de hoje, para que possamos ser capazes de construirmos uma realidade diferente.

Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação da UFRGS

Gestão 2009/2010 – “Lutar também é educar!”

domingo, 31 de janeiro de 2010

"É isso!"

Hoje ouvi uma música e disse: "É isso!". Trata-se da música "Hoje quero ser feliz!", do cantor, compositor e amigo Zé Caetano, que em breve estará lançando seu cd.

A música fala de sentimento, da visão positiva de um momento difícil, segundo o próprio compositor. E é esta mesma mensagem que hoje grita dentro de mim: " Hoje quero ser feliz, fazer o que eu sempre quis!", tendo a consciência e a certeza que um mundo justo, igualitário e feliz está sendo construindo, vivenciando essas mudanças nas pequenas e mais simples coisas da vida.

Segue a letra da música, vale a pena conferir o som no site do Zé Caetano.

HOJE EU QUERO SER FELIZ

(Letra e Música: Zé Caetano)


Hoje

Eu não quero nem saber

Vou fazer acontecer

Tudo o que eu sonhei pra mim


Hoje

Eu vou ver o sol nascer

Ver a criança crescer (ouvir a grama crescer)

Vou molhar os pés no mar


(hip hop 1)

Não quero guerra, não quero destruição

Só quero paz e amor no coração

Quero idéias de igualdade, fraternidade

Tudo que eu quero agora então, é a felicidade


(Refrão – 2x)

Hoje eu quero ser feliz

Fazer o que eu sempre quis


Hoje

Eu não vou deixar passar

Uma chance de amar

Um segundo pra viver


Hoje

Vou ver a chuva cair

Eu vou te fazer sorrir

O mundo vai ser melhor


(hip hop 2)

Não quero guerra, não quero destruição

Só quero paz e amor no coração

Quero idéias de igualdade e liberdade

Tudo que eu quero agora então, é a felicidade


(Refrão)

Hoje eu quero ser feliz

Fazer o que eu sempre quis




Fica a mensagem!

Bom início de semana...

domingo, 20 de dezembro de 2009

...às pedras e ondas...

Cá estou eu novamente, pelo terceiro ano, compartilhando meu ano com pessoas especiais.

Dois mil e nove foi um ano sem muitos avanços. Com mudanças sim, pessoais, coletivas, de pensamentos, de rotina, mas sem grandes transformações, porém não deixou de ser um ano maravilhoso e de muito crescimento.


Iniciei o ano com férias maravilhosas, em um lugar paradisíaco, com pessoas muito especiais. Momentos que me proporcionaram alegrias e muito descanso, para encarar 2009 com baterias recarregadas.

O desafio do movimento estudantil esteve presente desde o início, com atividades de recepção de bixos, preparação de atividades do ano. Aliás, o movimento estudantil merece um capítulo especial nesta carta.
Neste ano muitos desafios novos se delinearam, tocar uma gestão de um DA até então inativo, vencer a crítica com proposições, coerência e luta, vivenciar grandes experiências e um gigante amadurecimento de consciência com pessoas especiais e lutadoras, me proporcionou um gigante crescimento pessoal, pois me permitiu, a cada dia, reafirmar minha opção e encontrar algumas respostas dentro dessa escolha.

Iniciei meu primeiro estágio. Entre pela primeira vez em uma sala de aula como responsável por um grupo. Cresci, aprendi muito, me aborreci, fiz novos amigos, conheci realidades, tive experiências incríveis. Tornar-se responsável pela capacitação de jovens que buscam seu crescimento profissional e uma oportunidade melhor para o futuro foi um desafio e tanto, desafio recompensado pelo reconhecimento e carinho recebido pelos 43 jovens que por mim passaram e, principalmente pelos 34 que concluíram o tempo de capacitação. Aprender a respeitar realidades, espaços e opiniões, driblar o imprevisto, ser mais que professora, referência, uma amiga, me fez tornar-me uma pessoa diferente: mais consciente, mais atenta, mais feliz.

O meu curso, tão adorado e sempre tão vangloriado por mim, me deixou por diversas vezes em dúvida, indecisa, saturada, cansada, mas ao mesmo tempo a dúvida se tornou certeza, quando na prática, momentos de tensionamentos, pude começar a vivenciar a docência, tanto no estágio, quanto nas práticas docentes semestrais.

Aprendi a lidar perdas, reaproximações, cheguei a limites. Revi princípios, valores. Vivi minha seriedade e, por incrível que pareça, fui palhaça muitas vezes. Estive mais distante da minha família neste ano, visitei-os menos, por circunstâncias do tempo, dos compromissos, da rotina. Ganhei confiança, abominei atitudes, me decepcionei, chorei, amei, sonhei. Vivi!

Mais uma vez concluo o ano realizada. Querendo muito mais para o ano que se aproxima.

Agradeço aos amigos, os de longe e os de perto. Pela presença, pela saudade, pelo carinho, pelos apoios, pelos puxões de orelha, pelas decepções que me fizeram crescer. Agradeço àqueles que foram pedras: que me fizeram ser forte para vencê-los. Agradeço àqueles que foram ondas: me carregaram em seus impulsos, fazendo-me avançar.

Que o novo ano seja repleto de conquistas, que aprendamos a sonhar e, mais que isso, correr atrás e lutar pelos nossos sonhos, por aquilo que acreditamos. Que sejamos felizes.

domingo, 8 de novembro de 2009

Dilema do tempo...

Daqui alguns dias estarei completando duas décadas de vida. Duas décadas! Poxa vida, quanto tempo de vida, tão poucas coisas fiz, tantas coisas já deixei de fazer.
Tenho tanto medo de envelhecer aos poucos e perder meu entusiasmo pela vida, pelos meus ideais, pelos meus sonhos.
Tenho medo de não conseguir fazer tudo que eu gostaria de fazer, de não poder estar presente nos principais momentos da vida de pessoas que amo.
Tenho medo de não corresponder aos meus anseios de um futuro de muito trabalho, concretizações de sonhos e mudanças constantes...
Na verdade meu maior medo é de cair na comodidade, por conformismo, isso me amedronta, me estremece, me assusta!
Quisera eu poder constantemente alimentar meus sonhos, minha pitada de lutadora. Quisera eu possa cada vez mais criar e recriar, encontrar formas de viver, e viver feliz.
Quisera eu possa todo dia renovar minha paixão pela vida, e meu desejo de uma realidade cada vez melhor.

domingo, 4 de outubro de 2009

"um misto de angústia e decepção."

Adoraria hoje chegar aqui e escrever um texto cheio de alegria e glórias por ter participado de dois dias de expressão de democracia dentro da universidade, dois dias onde estudantes juntos traçariam caminhos para conquistas dos mesmos dentro da academia. Porém um misto de angústia e decepção, e porque não tristeza, me vêm à tona. Neste momento eu relembro minha pequena trajetória no Movimento Estudantil, mais especificamente, alguns momentos marcantes. Meu primeiro ato, a ocupação da FUNDAE, ainda um pouco desentendida, caindo de paraquedas, onde lutávamos contra as fundações ditas de apoio, contra a corrupção, pela garantia dos direitos da educação. Relembro ainda e, mais fortemente, do tempo - curto, mas (in)tenso - que fiz parte da comissão eleitoral das eleições para Diretoria Executiva do DCE e Representações Discentes dos Orgãos Superiores da UFRGS, no ano passado, quando consegui entender como funciona de verdade o movimento estudantil. Neste mesmo tempo o início da primeira gestão do Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação, pelo qual sempre me entreguei, pois lá é onde eu reafirmo todo dia minha opção pela educação, lá onde eu descobri pessoas com mesmos ideais que eu, onde tive oportunidade de construir boa parte do meu caráter militante e de luta, a partir de exemplos e vivências. Diretório este que representei nesse último mês na Comissão Organizadora do IV Congresso de Estudantes da UFRGS, e aqui inicia minha decepção.

Foi um mês de reuniões semanais, às vezes duas por semana, decidindo e organizando tudo para que as coisas saíssem da melhor maneira possível. Tomada de decisões, discussões, novas vivências, percepções.

Chego agora em casa daquele que era pra ser o IV Congresso DE ESTUDANTES da UFRGS, mas infelizmente não foi isso que vivenciei. Estes dois últimos dias foram tão maçantes quanto os dois meses de comissão eleitoral do ano passado, não tanto pelo trabalho, mas pelo seu resultado. Foram dois dias deixando tudo em dia: alimentação, credenciamento, listas, estrutura, correria, para no final perceber que o que estava sendo organizado não era um congresso de ESTUDANTES e sim de MILITANTES, um Congresso do Movimento Estudantil de vanguarda da UFRGS.

Por vários momentos me perguntei: Para quê uma comissão organizadora composta por estudantes de diferentes cursos? Para quê tomar decisões prevendo situações se na prática tudo era discutido no caso à caso, onde até não se convencer metade das pessoas a mudar a opinião sobre uma pauta, nada era resolvido? E mais intrigante ainda, por que uma tarde inteira de discussões sobre Acesso à Universidade, Currículos do Ensino Superior, Políticas de Permanência, entre tantos outros grupos de trabalho, se na plenária final questões do Movimento Estudantil e discussões pertinentes a um grupo seleto de estudantes recheado de interesses passaram por cima de toda e qualquer discussão. E ainda, para quê se esforçar em divulgar o evento para todos acadêmicos se na hora das decisões mais importantes do congresso quem se juntava em ‘cantinhos’ eram representantes de forças políticas que não representavam o todo daquela plenária?

Hoje eu entendo essa organização, não aceito, mas entendo essa forma de funcionamento, e considero uma falta de consideração com aqueles que constroem as lutas e o próprio movimento estudantil fora destes grupos. Porém, neste espaço tinham estudantes que vieram reivindicar questões muito importantes para seus cursos, suas trajetórias acadêmicas e se sentiram patrolados por dezenas de discussões que não lhes fazia sentido nenhum, intrigas políticas e jogos de interesse que tornaram o IV Congresso de Estudantes em um circo, um circo armado para aqueles que sentem-se os donos dos interesses dos estudantes, mas que consideram suas pautas mais importantes que qualquer outra.

Para resumir tudo isso eu pergunto: Qual era o objetivo do Congresso? E eu mesma respondo: Discutir a Universidade que temos e a Universidade que queremos. Sim, concordo que o Movimento Estudantil precisa se organizar, e que muitas questões políticas externas à Universidade são importantes, mas não mais que as pautas levadas por cada estudante, que na sua caminhada acadêmica se depara com diferentes problemas em seus cursos ou na sua própria permanência na faculdade, e que pensou encontrar no Congresso espaço para colocar suas bandeiras e encontrar respaldo daqueles que dizem ser porta-vozes da luta dos estudantes.

Se o objetivo de alguns grupos é construir um movimento estudantil de massas, cada vez mais com participação da base, os métodos vão ter que ser revistos, pois eu tenho certeza que aqueles estudantes que lá estavam ontem, e que não compõem o movimento estudantil, não retornarão a espaços como estes, onde não têm voz e nem vez nas discussões.

Por fim, eu reafirmo minha decepção e meu nó na garganta. Reafirmo mais ainda meu repúdio às situações vivenciadas e, principalmente àqueles que ainda se sentem os donos da verdade, que passam por cima de todos e de qualquer coisa para preservar seus próprios interesses.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Compartilho esta angústia...

Acabo de chegar na Ilha da Pintada, onde trabalho há 6 meses, e senti a necessidade de redigir este texto, para compartilhar com todas as pessoas com quem me relaciono de alguma forma, a angústia e a situação de caos que se instala aqui.

É deprimente o estado da Ilha, desta como de tantas outras pelas quais passei no caminho até aqui. Correnteza dentro das casas, as pessoas tirando tudo o que podem de dentro delas, as famílias sem poder sair de dentro das casas, ou sem poder entrar. Uma tristeza só.

A chuva parou, mas o rio não para de subir.

Porém a água mal entra nos casarões. Quem conhece a Ilha da Pintada, sabe do que estou falando. Para quem não conhece: eu explico. A primeira imagem de quem chega à Ilha é um grande contraste. Passamos por vários casarões (daqueles de filme, mesmo!), com um belo quintal, casas enormes, bem cuidadas, com o rio ao fundo. Lanchas e barcos estacionados ao fundo, e os melhores carros na frente. Estão muito bem protegidos, e por incrível que pareça, em mais de um daqueles grandes condomínios me surpreendi vendo os moradores sentados no pátio tomando chimarrão... Eles estão bem protegidos, devem ter boas estruturas que desviam as águas, que vão ainda mais fortes para os seus vizinhos, que tentam salvar, ainda, o pouco que têm.

Na escola em que trabalho a situação não é muito diferente. O pátio do fundo da escola onde tinha uma quadra de esportes e a praça das crianças agora virou um rio, assim como algumas ruas aqui dos arredores. E aqui mais um contraste: as pessoas preocupadas com desfile de sete de setembro, que era pra ter acontecido ontem, mas a chuva não deixou. Me lembro aqui de Paulo Freire e sua reflexão sobre a comemoração dos 500 anos de Descobrimento do Brasil, na obra Pedagogia da Indignação. Comemorar o que??? Que Pátria livre é essa, que os que pouco têm ainda perdem tudo, e os que poderiam fazer alguma coisa estão de braços cruzados, bem protegidos, despreocupados?

Não sei o que pensas sobre isso, mas isso me inquieta, e pensar no assunto pode fazer bem!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

“A impotência é uma escolha, escolha de não responder pelos seus atos!”

Já comentei aqui no blog, em um post mais antigo que a música inspira, marca momentos, faz refletir. Hoje ouvi uma música do Marcelo D2, Desabafo, música que escuto quase que diariamente, mas só hoje uma frase me chamou muita atenção:

“A impotência não é uma escolha também
De assumir a própria responsabilidade
Hein?”

Quantas vezes reclamamos da violência, das injustiças, da exploração, da drogas, da corrupção, e nos colocamos como impotentes diante dessa realidade que está diante dos nossos olhos, diria que dentro da nossa própria casa, muitas vezes. Nos colocamos como impotentes e, assim, covardemente nos acomodamos, por que, como seres impotentes, não temos nada o que fazer para mudar tal realidade.

Ao ouvir a música para mim ficou muito claro, como que um insight, o que a impotência representa: a acomodação e, principalmente, o medo de assumir a responsabilidade daquilo que fazemos.

Nos vemos impotentes porque temos medo do julgamento por assumir um lado, por brigar por aquilo que consideramos certo e (ou) justo.

A impotência é uma escolha, e na vida somos obrigados a ocupar um dos lados. Insistir em nos portar como impotentes não significa estar “neutro”, é muito pior que isso, é escolher o lado daqueles que oprimem, que roubam, que violentam, que agem injustamente, pois nada fazemos para mudar tais ações, que tendem a crescer e se fortificar, já que não encontrarão barreiras para expandir.

Escute: Desabafo - Marcelo D2